Estávamos na L2 sul. Priscila, devana, meu pai e eu, a pé,
indo pro Retiro Assunção.
Meu pai estava à frente do bando, ordenando a caminhada,
Priscila pouco atrás, e por fim, eu e devana, meio dispersados, bem mais
distante deles, conversando sobre a revista traço e sobre música, ele dizia que
estou enrolando demais para ver ‘Led Zeppelin: The
Song Remains The Same’, que seria uma das coisas mais belas que veria em toda
minha vida.
Eu e Devana apressamos o passo, ao tempo em que papai e Pri
atravessavam a rua. E nesse momento que o desespero ocorreu a todos, eu não vi
direito, apenas escutei o barulho da batida, PUFFF, “tá porra
maninho!!!”, a única coisa que devana disse, e quando olhei para a pista, vi
meu pai estirado no chão, desmaiado. Priscila chorando e gritando em cima de
seu corpo, o motorista desnorteado, e eu e devana correndo freneticamente para
alcançá-los. Quando alcançamos, pegamos papai no colo, botamos no carro do
atropelador e o levamos para o hospital (tudo isso ao som dos berros de
Priscila), eu estava pasmo, mas falava pros meninos: “acalmem-se, ele vai
sobreviver...”
Ao chegarmos no hospital, não me lembro de mais nada, como
se estivesse dormindo durante as longas horas que sei que passamos lá.
Até que entramos na sala em que papai estava. Eu, devana e
Priscila. Demasiadamente nervosos e preocupados. vi que papai tinha morrido,
todos ali sabiam, mesmo que sem uma do médico. Dagomé estava morto. Ainda não
tínhamos compreendido o acontecido, não tínhamos completado a ligação. Absortos,
olhávamos pra papai.
Levamos o corpo de Daguma para casa, estava dentro de um
plástico amarelo, tiramos ele de dentro do saco e o botamos no sofá da casa de
Binho (Binho tinha deixado a porta aberta, estava junto com Bia e Josa buscando
mãe no trabalho).
Sentamos em volta do
corpo de papai, devana tocavam suas musicas em meio à poucas lágrimas. E eu
escutando ‘Bola Azul’, chorava demasiadamente, mas o choro não me satisfazia
como expurgador de tristeza. Priscila no mesmo estado...
Colocamos papai na cama do Binho e fomos pra sala, todos nós
(com exceção de papai, é claro), devana estava esparramado no sofá, como que
guardando suas lágrimas pra quando estivesse só. E ficamos nessa por horas.
Até que resolvo voltar e vê-lo novamente (pela última vez,
não o veria novamente após aquilo, era minha despedida, logo seria enterrado),
e ao chegar à cama, sento do lado de meu pai. De repente, não mais que de
repente meu pai abre os olhos, como quem acorda de uma noite de sono. Eu
absolutamente nervoso, admirado, boquiaberto...
- Pai, eu te amo!
- Zeca meu filho, eu ressuscitei! Eu venci Deus, ultrapassei
Jesus...
SPLASHH BOOM!!!, os bombardeios de Criminal Minds às quatro da
manhã.
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